Por Thaís Nicoleti
"A defesa quer que Abdelmassih possa aguardar um provável julgamento em liberdade."
"Há expectativas de que Obama possa indicar ainda outros juízes durante seu mandato, já que John Paul Stevens e Ruth Ginsburg, ambos com mais de 75 anos, possivelmente irão se aposentar."
Nos fragmentos acima, destacamos o uso do verbo "poder", recorrente na linguagem da imprensa, mas nem sempre necessário.
No primeiro caso, os advogados que fazem a defesa do médico Abdelmassih, acusado da prática de atos libidinosos e de estupro, querem, por certo, que seu cliente aguarde em liberdade o julgamento. É desnecessário dizer que querem que ele tenha a possibilidade de aguardar em liberdade o julgamento. Se a possibilidade existir, naturalmente o médico preferirá a liberdade à prisão preventiva.
Bastaria, nesse caso, usar o próprio verbo "aguardar" no modo subjuntivo (que, por si só, já exprime a ideia de possibilidade). A defesa quer, portanto, que o médico aguarde em liberdade o julgamento. A expressão "em liberdade" liga-se ao verbo "aguardar", não ao substantivo "julgamento". É melhor, portanto, que fique próxima do verbo.
No segundo fragmento, segundo o texto, há expectativa de que Obama tenha a possibilidade de indicar outros juízes durante seu mandato, já que há dois juízes com mais de 75 anos de idade, que possivelmente vão se aposentar.
Muito bem. Se os juízes se aposentarem, Obama terá de indicar outros para substituí-los (não se trata de possibilidade). A expectativa está centrada não na possibilidade, mas na efetiva indicação de outros juízes. Mais uma vez, o simples uso do subjuntivo do verbo "indicar" exprime a ideia de incerteza, que bem completa um substantivo como "expectativa" e não precisa ser expressa novamente pelo verbo "poder". Assim: Há expectativa de que Obama indique ainda outros juízes durante seu mandato.
Depois do advérbio "possivelmente", o ideal é usar uma forma de subjuntivo ("vão").
Abaixo, sugestões de reformulação dos períodos:
A defesa quer que Abdelmassih aguarde em liberdade um provável julgamento.
Há expectativas de que Obama indique ainda outros juízes durante seu mandato, já que John Paul Stevens e Ruth Ginsburg, ambos com mais de 75 anos, possivelmente vão se aposentar.












